segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um dilema de páscoa: dar ou não chocolates para os filhos pequenos!


Uma das lembranças mais gostosas que eu tenho da infância é a das manhãs dos dias de páscoa.
Minha mãe sempre foi muito caprichosa, e muito preocupada em manter a magia e o encanto dos momentos, então, nos domingos de páscoa, eu e meus irmãos já acordávamos com a pegadinha do coelho ao lado da cama.
Íamos seguindo até encontrar a uma linda cesta com ovos de chocolate e ovinhos coloridos pintados à mão com amendoim doce dentro, que geralmente estava muito bem escondida no meio das folhagens da nossa casa.
Lembro, mais do que tudo, da sensação maravilhosa que era encontrar aquela cesta... tão colorida e tão encantadora aos meu olhos.

Acho que o ovo de páscoa tem um poder de atração maravilhoso. É brilhante, misterioso, barulhento.
Ainda hoje, não posso ver um que dá vontade de abrir, comer um pouquinho e correr para abrir outro.
Parece que o chocolate de um ovo de páscoa tem um sabor diferente do que o em barra.

Nessa páscoa eu e o meu marido enfrentamos um dilema.... dar ou não dar ovos de páscoa para nossa filha, que tem 1 ano e 8 meses e nunca comeu chocolate?
Apesar dos tantos palpites e comentários nós somos muito tranquilos com relação a nossa postura sobre a alimentação dela: procuramos oferecer o melhor, mas sem neuras.
Com relação à guloseimas, nossa pensamento é apenas o de não estimular.
Como ela é pequena, ainda não sabe o que é chocolate, portanto, não somos nós que vamos colocá-lo na boca dela.
E isso serve para as tantas outras gostosuras que existem no mundo, e das quais um dia a mídia ou os amiguinhos vão incentivá-la à comer.
Quando esse dia chegar, ela poderá fazer sua escolha sozinha, e não vamos impedir.
Mas também não vamos incentivar.
Como ela nunca comeu coisas muito doces eu tenho a esperança que ela nem ame o chocolate (e não sofra com esse vício como a maioria das mulheres!!!).
Mas se amar também ok, fizemos a nossa parte.
Por isso decidimos que daríamos um presente ao invés de chocolate.

O fato é que, mesmo tomada essa decisão, chegando perto do domingo foi dando uma vontade louca de dar um ovo bem gostoso para ela, devo confessar.
As lembranças que eu tenho são tão especiais... e se lambuzar de chocolate faz parte da infância!!!
O dilema foi ainda mais difícil porque se por um lado tem todas essas memórias que eu quero que ela também tenha sobre a páscoa, de outro tem todo o meu conhecimento sobre alimentação saudável e especialmente tudo que venho estudado ainda mais nos últimos anos, depois que fui mãe.
Sei que escolhas saudáveis são estimuladas pelos pais e quanto antes essas escolhas forem certas, mais chances de seguirem assim na vida adulta, resultando em mais saúde, prevenção de doenças e até melhor desempenho nos estudos e trabalho. Os efeitos do consumo excessivo de açúcar e derivados do leite em crianças está associado à ínúmeras doenças, entre elas alergias variadas, hiperatividade, falta de concentração e até mesmo depressão.
Mas é ser racional demais pensar dessa forma e não considerar a importancia que momentos assim tem na nossa vida.

E como eu sou uma pessoa 100% emocional, comprei um ovo por garantia.
Um backup caso resolvesse reviver o passado.

O fato é que passamos um domingo maravilhoso, com bacalhau, brincadeiras, uma oração ao deitar e não houve a necessidade de chocolate.

Concluimos que eramos nós que estavamos ansiosos para fazer todo esse ritual, relembrando a nossa infância, mas a verdade é que ela é ainda muito novinha para tudo isso.
Não faltarão páscoas para celebrarmos, com tudo que se tem direito, inclusive a se lambuzar de chocolate (mesmo que seja orgânico e rico em cacau rss).

Talvez se estivessemos num ambiente com outras crianças isso teria sido diferente, e não teriamos evitado de dar um ovo à pobrezinha.
Sou totalmente contra à deixar a criança se sentindo excluída.
E nada contra um chocolatinho de vez em quando, para eles e para nós, afinal de contas cada vez mais são demontrados os benefícios do cacau para a saúde. E muito antes um chocolate do que um pirulito cheio de corantes.
Mas, como nutricionista, optaria por um chocolate mais saudável, com menos açúcar e mais cacau, não só pensando em algo mais nutritivo, mas sim em não estimular tão cedo o paladar para esse vício que é o açúcar (e o chocolate brasileiro é o mais doce do mundo!).
Mas, de verdade, não foi necessário.

Acho que no final das contas o grande problema da páscoa está na quantidade.
A páscoa é para muita gente, um motivo para se entupir de chocolate. 
As crianças ganham tantos ovos que comem até ficarem enjoadas, passar mal. Ou então guardam o chocolate por meses e meses (o que acaba detonando a dieta dos pais!).
Eu lembro de ter ovos guardados até o fim do ano!
Esse foco no chocolate poderia ser distribuido com outras coisas como brinquedos, brincadeiras e a lembrança do verdadeiro sentido da data, um ovo de chocolate, e só! Assim esse um ovo seria super valorizado e não ficaria jogado por meses na geladeira.

Ainda não foi dessa vez que a nossa filha conheceu o chocolate.
Por enquanto ela continua com suas "gostosuras" prediletas: picolé, bolo e biscoitos integrais.
Deixa ela crescer mais um pouquinho e demostrar interesse para aí sim "cair nesse mundo" de chocolate, brigadeiro e afins. Ela ainda nem tem 2 aninhos!

Mas a conclusão da nossa história foi que querer ser o tempo todo 100% saudável não nos permite viver momentos necessários para uma infância feliz.
E viver esses momentos é muito mais saudável do que o fato de comer ou não comer chocolate.

Na páscoa que vem sem falta na nossa casa terão pegadinhas, uma cesta linda e colorida, coelhinhos e UM ovo de páscoa, do qual comeremos todos juntos!



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